HORA DE 100 ANOS – A MELHOR HISTÓRIA DE JACKSON PANDEIRO, O POBRE MENINO NEGRO QUE RECORDE CERCA DE 140 DISCOS

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Texto – Eduardo Vessoni *

Fonte – https://oglobo.globo.com/cultura/musica/a-probable-historia-de-jackson-do-pandeiro-menino-negro-pobre- gravaria cerca de 140 discos 23901865

ALAGOA GRANDE – José Gomes Filho era um pouco de tudo. Zé, Jack, José Jackson e Zé Jack, devido ao fascínio pelos filmes ocidentais, cujo ídolo era o ator Jack Perrin. Mas o que esse homenzinho de bigode estreito e mandíbula estreita conhecia melhor era Jackson do pandeiro. O Rei do Ritmo, que completaria 100 anos no próximo dia 31, começou sua carreira nos cantos, acompanhando sua mãe Flora Mourão com rodas de coco, morando em uma casa de barro nos arredores de um pântano de Paraibano. [19659005] Jackson do pandeiro – Fonte – Arquivo Nacional

– Jackson tinha tudo contra ele. Um sujeito alfabetizado aos 35 anos, negro, pobre, em teoria, não seria capaz de chegar aonde chegou – analisa Fernando Moura, co-autor da biografia "Jackson of the Pandeiro: The King of Rhythm".

Encontrei apenas essa indicação, de maneira nenhuma conclusiva como se pode ler, de que Jackson do Pandeiro e Almira Castilho podem ter ido ao auditório da Rádio Poti na Avenida Deodoro, junto com outros artistas em dezembro de 1956 – Fonte – Jornal natalense The Poti, edição de 12/06/1956, p. 6.

Olhar para sua discografia é ver um desfile de gêneros musicais em seus quase 140 discos. Em 1953, estreou com um compacto com duas faixas que seriam hits por uma longa temporada: “Forró em Limoeiro” e “Sebastiana”.

Fonte – Arquivo Nacional.

Embora seu nome esteja associado ao forró, o ritmo que
O músico mais gravado era samba. Havia 117 músicas desse gênero, seguidas por
rojão (72), baião (42) e marcha (40), segundo pesquisa de Sandrinho
Dupan, curador assistente de música no Museu de Arte Folclórica Paraibana
(MAPP) em Campina Grande. Em 1964, por exemplo, ele lançou o álbum "Things of our"
com uma sequência de afro-sambas, dois anos antes do trabalho sincrético com o
Vinicius de Moraes e Baden Powell, acompanhados pelo Quarteto em Cy, dariam
novos tons para o MPB.

Desde junho, a MAPP, mais conhecida
como Museu dos 3 pandeiros, casas “Jackson is 100, Jackson is Pop”, exposição
que conta a história do músico com fotografias, objetos como o pandeiro
letras originais e inéditas. Nas proximidades, a Universidade Estadual da Paraíba
raridades como a letra “Emotional Landmark”, registrada com a caligrafia do
próprio músico.

Em Alagoa Grande, onde
Jackson nasceu, o relacionamento com o filho ilustre não é simples. Ele parece ter
apagado da memória daquelas pessoas que carregam uma certa mágoa pelo
distanciamento do compositor. “Acho que já faz mais de 900 anos desde que saí.
Eu estava com fome na bexiga, então não quero voltar para lá ”, confessou ele no programa.
"Ensaio" em 1973.

Jackson do Pandeiro e Almira Castilho – Fonte – Arquivo Nacional

Ali, o Jackson do Memorial do Pandeiro,
localizado em uma casa de 1898, mantém fotos, capas de álbuns,
chapéus inconfundíveis e camisas impressas, jornais de Almira Castilho
ex-mulher, morta em 2011) e uma guitarra Jackson assinada por Juscelino
Kubitschek.

– Estamos plantando
Jackson na terra em que nasceu, para que ele floresça – explica
Gabriele Nunes, monitor do espaço aberto há uma década.

1957 – Tendo sua ala direita Almira e cercado por vários artistas de rádio na época, Jackson do Pandeiro assiste ao presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira assinar um violão que está hoje no Memorial do Pandeiro de Jackson em Alagoa Grande, Paraíba.

– Vamos aproveitar o
centenário e vamos ouvir mais Jackson do Pandeiro. Você tem que ouvir o lado B, C e
Z de Jackson, para que possamos entender sua importância – diz o
o biógrafo Fernando Moura.

invasão estrangeira estrangeira '

Não era uma carreira
estável. No início dos anos 70, ele reclamou em uma entrevista à GLOBO: “Não
há um lugar para trabalhar, tudo por causa da invasão da música estrangeira. "
Em 1976, o álbum “É com sucesso” apresentou faixas como ““ Iê, iê, iê no Cariri. ”

– Jackson tocou em
seu pandeiro qualquer música dos Beatles, fazendo uma base de coco e provando
que, como o reggae, o coco tem essa capacidade de ter uma alma própria –
descreve Pernambuco Lenine, que compôs “Brazilian Jack soul” em homenagem a
(e amostragem) o mestre.

Jackson passou da fama para a
esquecido, mas nunca deixou o repertório de artistas consagrados de Gilberto
Gil para Zeca Pagodinho. Paradoxalmente, os mesmos peludos da década de 1970 que
parecia ameaçar a música regional com suas novas batidas o traria de volta ao
cena musical. A mistura promovida pela Tropicália reviveu a Paraíba em
gravações como a versão jazz Gal Costa gravada para “Sebastiana” em 1969,
e a versão "mandona" de "Goma de mascar com banana" no antológico "Expresso 2222"
que Gil lançou em 1972.

O tempero extra viria
naquele ano, quando Alceu Valença e Geraldo Azevedo bateram na porta de Jackson,
convidá-lo a defender com eles “Papagaio do futuro” no Festival de
Música.

Cultura Racional

Nessa década, um
aposentado Jackson do Pandeiro compõe samba e forró inspirado na Cultura
Racional. É a partir dessa curta experiência de 1973 a 1978 que o músico grava faixas
como "World of Peace and Love" e "Joy My People", cuja capa tem Jackson com
um colar com a imagem que ilustra a série de livros “Universe in Disenchantment”
subjacente à seita, fundada pelo médium Manoel Jacintho Coelho e que
também inspiraria Tim Maia.

– Eles não são abençoados nem
Religiosas São músicas que falam sobre questões universais com as quais todos precisam lidar.
identifica paz, amor e consciência – analisa o músico Arthur Pessoa, líder
da Cabruêra, uma banda que, em 2019, toca com Os Fulano, o lado B de Jackson, em um
repertório com músicas da temporada Racional e músicas inspiradas no
terreiros de candomblé que o compositor frequentou em Recife, como o batuque
"Pai Orixá."

Mas Jackson realmente gostava de ser
mulher. Desde o início, seu trabalho foi marcado por algumas canções impensáveis.
na época, como mudança de sexo, no início dos anos 60 (o forró
“Mulher que virou homem” é considerada uma das primeiras músicas brasileiras
lidar com o assunto).

Fonte – http://farolnews.com.br/cultura/jo-miranda-faz-tributo-a-jackson-do-pandeiro-no-forro-do-talco/

a mulher canta
“Topa Parade” (“Forró em Limoeiro”, 1953), mas também a elogiou em faixas como
“História de Lampião” (1977), na qual ele argumenta que o rei de Cangaço deveria pagar
pelo que ele fez no interior, mas não por Maria Bonita.

Exceto por um primeiro
casamento forçado, a mulher sempre foi a ganhadora de pão em sua vida
pessoal e profissional. Almira Castilho, elegante e bem formada, era a mulher
quem lhe ensinou as cartas; Neuza Flores, a última esposa, é ex-metalúrgica
que largou tudo para acompanhar o ídolo que se tornaria marido. O primeiro foi
próximo a ele em tempos de sucesso e dinheiro rápido – apareceu em alguns
nove filmes que ele fez, por exemplo); o segundo foi o fisioterapeuta
depois de um acidente em 1968, e viu o rei do ritmo desaparecer de
estágios, lentamente.

* Especial para o globo

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