Conheça a Potiguar, que realizou mais de 1000 Partos

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desde os 16 anos que ela ajudou em um parto enquanto passava pela rua, hoje ela é referência no assunto.

No povoado de Campinas, São Gonçalo do Amarante, Rio Grande do Norte. Foi lá que Ana Maria Valcácio da Silva, a mais velha de seus 10 irmãos e irmãs, nasceu e cresceu valente e inquieta.

Nascida como resultado de parto natural, uma antiga tradição familiar, a menina, é claro, passou a infância cortando os estômagos das bonecas. grande para colocar dentro as bonecas menores. Ela veio ao mundo com uma forte paixão pela maternidade, que posteriormente trouxe seu excepcional talento e fama.

A parteira Donana. Foto: John Nascimento / Substantivo Plural

Aqui, uma vez uma mulher grávida passou na rua que a chamava: “Menina, vem cá! Você pode me ajudar aqui? Eu só não vou mais para casa. ”Então a mulher deu à luz com a ajuda da jovem Ana, que tinha apenas 16 anos.

Depois disso, a vida começou, dividida entre seus negócios e corridas por porões, farmácias e casas da cidade, tudo em nome do relevo, parentes e vizinhos

Ana, que já havia sido transformada em “Ana Parteira”, foi convocada para uma comunidade quilombola chamada Salgado para ajudar uma mulher nesse processo.

“Ela [ a mulher ] tinha ido tomar banho na maré, onde é muito perigoso para se ter um aborto. Quando eu chego com meu material, vi cacete comendo, gente correndo atrás de mim e me xingando de menina sem-vergonha, dizendo que aquilo era assunto de mulher. Entrei rápido na casa dela e fechei tudo. Então eu disse: agora quem está aqui sou eu. Possuo uma seringa, uma tesoura e uma agulha, se alguém entrar pra me matar, vou furar muita gente”.

Entre a multidão, Ana lavou e ajudou a mulher, respondendo:

“Não sou menina, não, sou uma nega veia parideira, estou acostumada a fazer parto!”.

Mais tarde a jovem destemida ‘Ana Parideira’ se tornou ‘Donana’, uma mulher experiente, destemida e curiosa, que contabiliza hoje, aos 65 anos de idade, mais de 1000 partos.

Ela se tornou espírita, trabalhou com o teatro, era uma figura pública e coordenadora do grupo pastoral da juventude, e depois veio a se tornar presidente da Associação Nossa Senhora do Bom Parto  .

Ela teve cinco filhos, todos eles, obviamente, nasceram em casa, um morreu quando criança.

Ela está bem ciente do preconceito que ainda existe contra sua profissão:

“As pessoas acham que a parteira é perigosa, coisa de macumbeira, bruxaria. A mulher vai na ultrassonografia, aí dá que a criança não tem como nascer naturalmente. Aí a parteira vai e faz o parto. Temos nossos modos de sentir, tatear, sentir onde tem uma cabeça, a lateral das costas”, desabafa a guerreira destemida.

Seu grande conhecimento de 50 anos como parteira já veio a ajudar mulheres a parir nos lugares mais inusitados possíveis

Seu papel em sua comunidade de Campinas e em toda a cidade de São Gonçalo do Amarante os que vão além de partejar, mas também ajudar as mulheres durante o parto.

Foto: John Nasimento / Plural

“Onde eu moro, não sou simplesmente uma parteira. Sou uma das mulheres que está em casa disposta a sair de manhã cedo, de noite, de madrugada para ajudar alguém. Já entrei em casas em condição difícil”, explica a mulher guerreira.

Por 10 anos, Donana ajudou mulheres a dar à luz com as mãos limpas, sem uma luva cirúrgica e sem um único caso de infecção.

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